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ADM / EQUIPE NEXUS

Sahala

Comissária-Chefe do NDP. Nas ruas, conhecida como Juiz Dredd.

Arte de apresentação de Sahala
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BIOGRAFIA

POR TRÁS
DO NOME.

Era uma tarde quente. A Comissária-Chefe do NDP observava as lâminas do ventilador circularem lentamente o ar quente e fétido da delegacia. O aparelho rangia a cada volta, como se também tivesse desistido daquela cidade havia muito tempo.

Uma mosca-varejeira pousou sobre sua mesa. Já a esperava havia alguns minutos, imóvel, como um predador à espreita. Um tapa de mão aberta, certeiro, reduziu o maldito inseto à estrutura subatômica. Um pó branco e de procedência suspeita se levantou das ranhuras da mesa. A luz do fim da tarde atravessou a janela e fez aquela poeira brilhar por alguns segundos como uma pequena nuvem de neve.

Observou a própria mão calejada.

— O homem produz o mal como a abelha produz o mel.

Limpou os restos do inseto em uma procuração enviada pelo NIB e lançou o documento no lixo.

— Vou guardar ali para ler mais tarde.

Crescera nas ruas escuras de Nexus. Iniciou a carreira como cabo da corporação e rapidamente ganhou fama por duas características pouco sutis: carisma baixo e cacetete grosso.

Possuía níveis de testosterona anormalmente elevados para uma mulher cis e acumulava traumas na mesma proporção em que acumulava horas extras.

Hierarquia, para ela, não era sugestão. Não tolerava insubordinação, hesitação ou policial que confundisse distintivo com decoração. Ainda assim, sua relação com a lei nunca fora exatamente ortodoxa.

Acreditava em uma máxima simples: “A lei é uma ferramenta. Ordem é o objetivo.”

Em toda a vida, aprendera a odiar duas coisas com intensidade semelhante: pedra no feijão e burocracia. Esta última, entretanto, ocupava um lugar especial em seu desprezo. Para ela, era como uma velha virgem e corpulenta que havia se guardado por décadas apenas para acumular o peso da própria inadimplência.

Do lado de fora da delegacia, um letreiro luminoso defeituoso piscava o nome da cidade: NEXUS. Aquele lugar era uma coleção mal organizada de viciados, criminosos, aproveitadores e cidadãos abandonados à própria sorte. Em determinados bairros, organizações paralelas conheciam as ruas melhor que o próprio Estado.

Na Baixada, o Sindicato controlava vielas e favores. Nas redes, os Bio Hackers observavam o que ninguém deveria estar vendo. No Litoral, o Cartel movimentava negócios longe dos registros oficiais enquanto os motores dos Drifters anunciavam mais uma madrugada.

Estaria perfeitamente em paz com aquela latrina suburbana se não fosse a Governadora insistir, repetidamente, que a cidade precisava de ordem. E ordem era justamente aquilo que sabia entregar.

Parte de seu rosto permanecia paralisada devido a uma bala recebida anos antes. O projétil atravessara sua carne e lesionara os nervos da região.

Ela sobreviveu. O homem do outro lado não.

Mesmo assim, perdeu o processo. Foi acusada de excesso de força durante uma operação policial. Segundo a acusação, teria espancado um traficante e “estourado seus miolos” com as próprias mãos.

Sempre considerou a descrição exagerada. A parte das mãos, pelo menos.

Os exames realizados após o incidente apontaram altas concentrações de testosterona e cafeína em seu sangue.

O Estado determinou que pagasse uma indenização à família do morto. Pagou. Nunca pediu desculpas.

Durante os chamados Tempos Sombrios, seu nome tornou-se conhecido nas ruas. Alguns policiais a tratavam pelo sobrenome. Criminosos tinham nomes menos educados.

Entre eles, porém, um apelido sobreviveria: Juiz Dredd.

Diziam que prendia, julgava e executava criminosos antes que a Justiça tivesse tempo de imprimir o primeiro formulário.

Talvez fosse exagero. Talvez não.

Naqueles anos, Nexus enfrentava uma escalada de violência que parecia não ter fim. Tornou-se aquilo que muitos dentro do Governo jamais admitiriam publicamente que precisavam: um mal necessário.

Combateu fogo com fogo. E, por algum tempo, funcionou.

Sua atuação, entretanto, deixou marcas dentro da própria corporação. Investigações sobre abusos de autoridade, corrupção e violência policial cresceram, até que o Governo criou o NIB, um órgão destinado a impedir que policiais corruptos florescessem dentro do NDP.

Havia certa ironia nisso. Parte daquela estrutura existia justamente por causa de policiais como ela.

Ainda assim, continuava ali. Intocável. Como uma tuberculose latente nos pulmões do Governo.

O tempo passou. Os criminosos mudaram. As organizações mudaram. O uniforme mudou. Ela também mudou. Um pouco.

O grande castigo veio quando o próprio sistema decidiu promovê-la. A mulher que passara a vida desprezando formulários, reuniões e regulamentos acabou aprisionada exatamente naquilo que odiava.

Agora ocupava o cargo de Comissária-Chefe do NDP.

Sua arma passava mais tempo na gaveta. O cacetete, mais tempo encostado. E a mesa acumulava pilhas de memorandos, relatórios, requisições, sindicâncias e documentos enviados pelo NIB.

Era um mal necessário e sabia exatamente quando sua presença se fazia necessária.

O problema era que agora precisava decidir quando os outros também seriam.

Do lado de fora, a maldita lâmpada de neon continuava piscando. NEXUS.

Odiava aquela luz. Talvez quase tanto quanto odiava seu novo trabalho.

Havia uma ironia em tudo aquilo.

Não sorria.

A próxima história pode ser a sua.

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